sexta-feira, 31 de julho de 2015

O que é um dia stressante?

Um dia de trabalho stressante é um dia carregado de imprevistos (uns maus outros bons) de manhã à noite, altos e baixos consecutivos. 

Um dia de trabalho stressante começa com o computador a não querer ligar, naturalmente quando há um prazo para cumprir até às 10h00. O banco manda uma mensagem «o pagamento agendado do IMI foi realizado com sucesso» (ler com tom irónio: "Que alegria!"). 

A este início de dia, pode acrescentar-se não encontrar o caminho mais directo para o destino e perder algo valioso ainda antes das 11h00. Após a primeira reunião do dia - que corre bastante bem -, esse dia stressante pode incluir em seguida estacionar, colocar um euro no parquímetro e nem a moeda é devolvida nem sai o ticket. 

São 13h30. Segue-se uma segunda reunião e, enquanto se aguarda, tenta-se trabalhar um pouco. Descobre-se que o portátil está avariado e que, para além dos prazos a cumprir, ainda é necessário passar numa loja para o reparar. A somar à espera e à descoberta da avaria (à primeira vista grave), a pessoa com quem pretendemos reunir não aparece de todo. Remarca-se para meio da tarde (ficam de ligar). E, claro, a bateria do telemóvel esgota-se.

Um dia stressante pode também incluir um nível de humidade e calor acima do normal e, claro, uma empresa de reparações de computadores que muda de instalações para a outra ponta da cidade. Resigno-me. 

O calor é tanto que é necessário parar em casa para tomar um segundo duche e dar um carregamento rápido ao ao telemóvel, antes de ir procurar outra loja de reparações. Aproveita-se a ocasião para acreditar que o computador agora já vai funcionar. E... por milagre... funciona. 

Que horas serão? 15h30? Ainda não almocei... O telemóvel "acorda". Meia dúzia de chamadas por atender e mensagens por responder (nenhuma do número que estava à espera). 

Toca o telefone. A hora do terceiro compromisso do dia (felizmente informal) chegou! Com os imprevistos da manhã, esqueci-me! «Estamos aqui», dizem elas. Upsss. «Peçam-me um bitoque, por favor, estou aí dentro de 10 minutos». 

Enquanto corro para as amigas e para o bitoque, toca o telefone: «oh mãe, sempre me vens trazer o brinquedo à escola?». Digo que não vai dar. Toca o telefone, mais um ponto de situação bem sucedido. 

Num dia stressante, chego ao terceiro encontro do dia, ofegante. Conversamos enquanto almoço. De repente já passa das 16h00. 

E finalmente a coisa amaina. produz-se artigos. 18h30. Toca o telefone. Alguém que pensa que freelancer não tem nada que fazer. Meia hora de conversa. Continuo a escrever.

Toca o telefone. "Mãe, posso ir para casa da XXXX?". (Ufa, ganhei uma hora de trabalho)... "Claro querida, podes. Já lá te vou buscar".
 
São quase 20h00. Preparo-me para ir buscar a criança. Ligam-me as pessoas da segunda reunião do dia: "Podemos reunir agora?". Fico de boca aberta e respondo "Lamento, mas agora não é possível". Fica reagendado para amanhã. 

20h10. Preparo-me para ir buscar a criança. Chamada de cliente para fazer ponto de situação e negociar valores da colaboração. Chego a casa da amiga da criança são praticamente 21h00. 

É certo que no meio disto tudo foi produzido trabalho. Menos mal. 

Paragem (merecida) para tomar uma água e trocar impressões com uma colega de profissão sobre os possíveis caminhos a seguir. Beijinho de boa noite à petiz.

De volta ao PC (que ainda funciona), preparo-me para escrever pelo menos mais dois artigos. São 23h00, o dia ainda é uma criança. Textos concluídos, reunião por mail terminada é hora de ir descansar.

Este é um exemplo de um dia stressante. 

Hoje foi um dia stressante. 

Mas o que é certo é que a experiência nos dá serenidade. E, apesar de tudo, não me enervei. O que não tem solução solucionado está. Até porque com tanto a acontecer não há tempo a perder. 



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